Eu que não acreditava em sua vinda – só depois da notícia da desistência do Inter é que comecei a admitir a possibilidade – para o glorioso, permaneço com muitas das dúvidas que tinha antes do anúncio. A principal era sobre a relação custo x benefício de um técnico sabidamente caro.

Na reportagem que o Borusso comentou falou-se em R$600k mensais e muitos dos colegas lá da turma do trabalho diziam que ele não viria porque é um profissional muito caro. Um repórter questionou isto na coletiva e o Luxa o respondeu dizendo, em suma, que é melhor pagar mais e ter um profissional que dê resultados do que gastar com aqueles que não trazem resultado algum. “É como numa empresa”, disse o manager.
Conversando com a mesma turma, perdemos alguns minutos fazendo umas continhas: 600k/mês = R$7200mi no ano. O patrocínio máster renderá ao Galo 15 milhões em 2010. Ou seja, 50% da receita do patrocinador máster seriam destinados ao treinador (e sua comissão técnica, pelo que entendi do texto da Clickrbs). Se considerarmos que a torcida rendeu uns 15 milhões em bilheteria neste ano, o investimento no Luxa até parece não ser assim tão alto. E o presidente já disse que quem paga a conta é o Galo mesmo.
Ainda assim, há outras questões. Nós sabemos que o elenco do Galo é mediano e que o Bestial não faz milagre (é só observar esta última passagem pelo Santos). Então, o Clube terá que investir pesado em jogadores ‘vencedores’, como disse o novo técnico. Na própria coletiva, quando perguntado sobre a permanência do Ricardinho, sobre isso ele disse o seguinte: “Fica. Ele é um jogador vencedor. Pra ter um time campeão tem que ter campeão ao seu lado, jogador acostumado a vencer. Como o Júnior, por exemplo.”
Apesar das promessas do Kalil de investir no futebol, que é o carro-chefe do clube, e apesar do passado vencedor do novo treinador – como ele mesmo disse várias vezes durante a coletiva -, ainda tenho lá minhas dúvidas.
Seu momento não é dos melhores e há algum tempo não apresenta resultados grandiosos. Enquanto treinadores como o Adilson Batista (pra mim, o melhor em atividade no país) estão ascendendo rumo ao topo de suas carreias, o Luxemburgo parece ter perdido aquela chama motivadora, aquela gana de vencer. Ainda assim, se ele estiver certo em suas previsões dinorahticas (“Eu vou fazer o Atlético vencer em dois anos, com certeza”), será preciso mais que um treinador com um passado brilhante para se chegar a algo grandioso. Serão precisos jogadores vencedores para isso.
Mas, como diz Flávio Gomes, “sempre tem um mas”, este pode ser, sim, um novo começo para o clube. Pode ser uma oportunidade de crescimento e uma forma de se aproveitar a vasta experiência vencedora do bestial, por que não? É isso que todos queremos.
Entretanto, continuo esperando. Se já não mais pelo técnico, pelo Ano II.
E que, no final das contas, o Tom esteja certo.
Do que disse o Luxa na coletiva de hoje, destaco algumas falas:
- Ele disse que sua vinda para o Atlético não se deu pela desistência do Inter. Deu-se pelo projeto que o Kalil foi lhe mostrar em sua casa. Disse que gostou da forma objetiva, clara e sincera que o presidente lhe expôs a proposta do projeto do Galo. Isto me fez pensar que talvez aquele conflito de egos possa não existir. Mas não conto muito com isso, afinal, nós conhecemos bastante o temperamento do Kalil. Não há como prever nada neste sentido;
- Como já prevíamos, disse que o futebol do Galo será com ele. Ele tratará das contratações, da (óbvia) escolha dos jogadores, e das dispensas também. "O futebol do Atlético fica sob minha responsabilidade". Quando perguntado sobre a permanência do Tardelli, foi taxativo: “Ele fica. É um ídolo do time, a torcida gosta dele. O clube tem que ter um ídolo”.
- Disse que o projeto, nestes dois anos, é “levar o Atlético de volta à elite do futebol Sul-americano”.
- “Este projeto do Atlético é daqueles que eu gosto. O tipo de administração tem tudo pra dar certo”.
- Ricardinho: “Por quê vou mandá-lo embora? Pra ter um time campeão você tem que ter campeões ao seu lado”.
- Júnior: “Como preterir o Júnior? É um jogador experiente.” “Se não consegue jogar 3 jogos, que jogue 1 jogo. Ele pode pertencer ao elenco e ser importante. É preciso ter um elenco versátil”.
É. Alea jacta est.












